Mais ou menos a um terço do seu caminho, o período começou a esboroar-se, a escapar ao meu sentido. Era um período longo, que se prestava a desmandos. Como se o tamanho fosse desculpa. Retomei-o do início várias vezes para obter sempre, no mesmo ponto, o mesmo resultado. E esse ponto era aquela contracção, uma contracção que desarranjava o período. Uma contracção que me desarranjava e transportava o mundo para a turbulência da sua infância.
Parei para observá-la, à contracção. O acento tinha uma configuração que denunciava a sua fraude. Não seria afinal uma contracção, mas sim uma preposição contrafeita por uma impureza, uma imperfeição no papel. Aproximei-me mais ainda, passei-lhe o anelar por cima e a imperfeição revelou ser, também ela, falsa: um resto alongado e fino de algo ali mal caído, talvez transportado pelo meu corpo, que, ao desaparecer, permitiu ao mundo continuar a guerra por outros meios.


