O problema não é, como nunca foi e provavelmente nunca será, o das incertezas. Tudo — o que se vê em redor e o que está para lá dessas voltas — é um circo montado para iludir as inevitabilidades. Os próprios fundos gastos na tentativa de compreender as incertezas e, assim, torná-las um pouco mais certas, fazem parte desse circo montado para iludir as inevitabilidades. Um intrincado sistema de transferências, minudências e espelhos deformados. Compreende-se que não haja investimento no desvendar das inevitabilidades: o nome de palco das inevitabilidades é certezas e as certezas não requerem explicações: as certezas requerem dúvidas. Ou seja, incertezas com que se consiga viver. Incertezas que justifiquem o dinheiro gasto no circo montado para iludir as inevitabilidades. Ou seja, as certezas com que não se consegue viver.


