Porque, para além do incómodo formal a que somos sujeitos – discordamos quanto às concordâncias, só para dar um exemplo menor –, há o problema da pertinência. Chegados ao final, somos sempre confrontados com a sensação de vácuo, de tempo malbaratado. Só não digo perdido porque o tempo, por razões que lhe escapam, não pode sê-lo. De que não só haveria muito mais a dizer sobre o assunto, como de que o que deveria ter sido dito não era aquilo. As bases da abordagem, o uso dado às fontes, coitadas, as opções metodológicas. Tudo. Nos casos felizes, tudo é nebuloso. Nos infelizes, incompreensível. Nos casos suicidários, tudo é absurdo. Ainda não percebeu – e talvez seja optimismo esperar que ainda venha a perceber – que escrever nem sempre ganha muito transitivado. Escrever chega, não é preciso escrever umas coisinhas.

2009.12.03