É natural que o público saia das salas de cinema um pouco zonzo, tonto, aturdido ou de outra forma perturbado. Não por ser a milionésima metaforazinha da destruição com que o macho branco, depois de recrutar a fêmea branca para a secção de caridade & condescendência, macula todas as virgindades em que a sua mão põe o pé. É antes das potencialidades da cauda. Da terminação felina do nariz. Da sobriedade musculada dos corpos. Uma evidência impõe-se: um na’vi que aceda a corrigir aqueles dentes é uma solução perfeitamente aceitável para a maior parte das pessoas em que a função serotonérgica esteja, por assim dizer, liberta de constrangimentos de maior. Uma solução que durará até que uma falha da EDP os separe. O que, dependendo da qualidade do serviço praticada na zona de cada cliente, pode ser bastante mais que a vulgar eternidade.

2010.01.09