Dixit, assim titulado, assimilado, mas não facsimilado: «quando se nasce pela segunda vez assiste-se ao próprio nascimento». Acrescento: com a vantagem de que o alto nível de medicalização dos processos e a utilização de métodos diagnósticos e terapêuticos invasivos são, até certo ponto, opcionais. É tudo uma questão do lado para que o nascituro está virado.

Também quando se morre pela segunda vez se assiste à própria morte. Com a vantagem de que o mesmo nível de burocratização e a alocação de espaço morto para o efeito estão, de certa forma, vedados. A menos que o recém-falecido apresente sinais de decomposição demasiado odoríferos para que se possa dispensar o recurso a medidas de contenção.

Pode-se nascer uma terceira vez, mas terá de se ser a própria mãe. E o mundo já é bem abastecido de filhos de mães loucas, passe o floreado, para aguentar expoentes.

Pode-se morrer uma terceira vez, mas já está demasiado visto. Ainda vende, mas só porque é um bem de útlima necessidade.

2010.01.31