Dois criminosos, que falavam português-embora-com-sotaque-brasileiro, assaltaram o Holy Ghost Bank, onde fizeram reféns. Há lá uma data de bancos, mas escolheram aquele. É no que dá não gostar de sobreiros. O que vale é que já trato de tudo pela internette, nunca ponho os pés nas agências. Quem tem cu tem medo. No momento em que vos escrevo estas linhas, os sequestradores foram neutralizados (um morto, o outro a caminho), não sem que antes o especialista em estúdio, o Presidente da Câmara Municipal de Santarém, achasse que isto costuma ser mais estrangeiros, brasileiros, romenos. São culturas mais violentas, qualquer pessoa que conheça a realidade que se vive no Brasil, na Moldávia, na Ucrânia, sabe como aquilo é. E na Roménia também, presume-se. O Rodrigo lá lhe fez o favor de passar uma microrreportagem com a mais cuidada selecção dos últimos e mais espectaculares casos de sequestro ocorridos na Nossa Brava Nação. Seis: o casal em Lisboa, o homem em Setúbal, o padeiro em Sobral de Monte Agraço, etc. Todos por portugueses. Uns por causa das dívidas, outros por causa dos filhos. Quem conheça a realidade em Sobral de Monte Agraço sabe como aquilo é. Os negociadores falaram em diferido com janelas em directo no canto do ecrã. O Presidente da Câmara Municipal de Santarém explicou os afectos, o tempo, a utilização do nome próprio. O saco com uma piza deixado pela polícia à porta do Bank. Tropical ou anchovas. Mas também podia ser vegetariana. Extra queijo, uns pãezinhos de alho, se pedir uma familiar tem direito a duas latas de refrigerante à escolha. A gerente estava bem, diz a amiga lá foi ter quando viu as notícias, mas teve de ser transportada para o hospital porque, provavelmente, o factor psicológico devia estar um pouco abalado. Divorciada, trinta e três ou trinta e quatro anos, um filho que está de férias com o pai, mas não sei onde. Deve ser no Algarve, há-de ser de onde? Não sabem ir para mais lado nenhum. Os tiros, pelo som, foram claramente dos atiradores furtivos do Grupo de Operações Especiais. Fui comer uma saladinha, que não consigo ir para a cama de estômago vazio. Não há inibidores de apetite, naturais ou sintéticos, legais ou ilegais, que me resolvam isto. A polícia queria os jornalistas fora do perímetro porque estes não percebem nada de geometria, informaram-nos de que iria haver um comunicado, mas depois nunca mais saía o comunicado. Deviam estar a corrigir-lhe as gralhas, a acertar as concordâncias. Ninguém se entende com o Escritório 2007. aquela lógica iconográfica intensiva é uma cruz para quem está habituado a ter tudo em menus de texto. E para quem usa portáteis com o monitor largo e baixo, fica-se com pouquíssimo espaço de editor propriamente dito. Não há quem perceba o que se passa com a cabeça daquela gente, desde há dois anos que não lançam um produto de jeito. Afinal parece que um dos tiros foi da PSP, à queima-roupa. A sub-intendente Carrilho não respondeu a perguntas. O boné da bófia não fica nada bem. Percebe-se que a operação está terminada. Andam para lá uns agentes para cima e para baixo. Tipo o Ci Ésse Ai, andam a recolher coisas, impressões digitais, a bloquear o trânsito. Quem conhece a realidade em Campolide sabe como aquilo é. O Presidente da Câmara de Santarém diz ao telefone que a operação foi de um grande profissionalismo e qualquer coisa acerca deste tipo de desfechos. Estava a inalar os corticóides e não consegui perceber bem. Sempre tive um problema com o multitarefa, especialmente quando envolve inalar e ouvir ao mesmo tempo. O meu otorrino já não sabe o que me diga. Já o ministro disse umas coisas, em tom douto, preclaro. Gosto muito do tipo, mesmo quando não diz nada que se aproveite, que é tudo menos o que disse no debate do aborto. À hora de ponta, as senhoras que queriam apanhar o dezoito, que as levaria de volta aos tachos e panelas, achavam aquilo uma vergonha. Há também a registar uma explosão numa fábrica de pirotecnia em Ponte de Lima. Quem conhece a realidade em Ponte de Lima sabe como aquilo é. |