Vi-a ao longe, atravessando o fundo da rua. Está tão velha. Foi como quando reparei, numa digressão por fotografias passadas, que o azul da parede nascente da sala já não era o mesmo, forte e homogéneo, de quando o tínhamos pintado a pulso. Depois foi o trabalho, o diabo que carregue o capitalismo, e os filhos de ocasião que ela ia arranjando para fazer as vezes das hormonas. Quando um dia, pouco depois daquilo da parede, lhe anunciei que, por «companheira» me fazer vê-la como um conhecimento de reunião tupperware, lhe iria passar a chamar «outra significativa», nesse dia, digo, a nuvem condensou-se. Desabámos sobre a sala, lavando-lhe o azul que ainda havia. Eu não suportava os seus putos platónicos, ela não podia com as minhas traduções à martelada. O diabo que carregue as estruturalistas arrependidas. Pelo menos aprendi que devemos sempre ter o cuidado de escolher alguém que use o mesmo anti-rides que nós. E agora está tão velha e eu ainda tão novo. |