Lá continua, naquela inacção improdutiva que é o coração do seu charme. Mas continua a queixar-se? Sim, continua a queixar-se, apesar de, recentemente, os pretextos dos seus queixumes terem sido cruamente abolidos pela bondade sem coração do sistema. Foi um grande abalo para ele. Não há quem o ature, por estes dias. Então agora queixa-se quê, de ter ficado sem razões para se queixar? Quase: queixa-se em abstracto. Já é do domínio das leis do movimento, o seu lamento. Mas creio que não irá tardar até que se agarre a algo novo e profundamente corrosivo através do qual consiga expressar a sua raiva contra o mundo. Achas? Tenho a certeza. Não é pessoa para viver muito tempo sem um consolo. Além do mais, é um criador, o que só lhe torna a vida muito mais complicada. Eu, pela minha parte, disponho-me, apesar da aridez do meu lugar. De que não me queixo. É assim o amor. |