Já tomei todas as providências. Contactei, casualmente, os nós da rede. A senhora da papelaria. A senhora da mercearia. A senhora do centro de saúde. A senhora que volta e meia vem cá a casa tomar chá e fazer festas ao cão. Elas encarregar-se-ão das restantes senhoras. E dos senhores, que para o caso, como para qualquer caso, pouco importam. Já lhes expliquei que as marcas foram autoinfligidas. Cheguei tarde demais, já não havia grande coisa a fazer. Que agora, ainda por cima, lhe deu para dizer que fui eu. O meu sofrimento, vejam só. A ver se amanhã não me esqueço de acrescentar que, não fora a minha intervenção, e o resultado final teria sido ainda mais horrível. Casualmente. Até tenho de entregar as apostas da Santa Casa, antes que me esqueça. E tenho de ir comprar margarina, que me esqueci. E tenho de pedir outra via do boletim de vacinas que, vá-se lá saber como, perdi, antes que me esqueça. Foi logo a seguir a ter saído da consulta. Deve-me ter caído. Claro que ninguém o tentou devolver. Estas bestas, esta gente. A do cão não há precisão, há-de telefonar com as estórias dela amanhã ou depois e digo-lhe, lá pelo meio. Nem quero imaginar o que teria sido senão fosse eu. Se não tivesse chegado a tempo de impedir o pior. Agora só tenho é medo que volte a acontecer. É que não posso estar sempre... Sempre. Também tenho a minha vida, a minha mínima, residual e ansiosa vida. Não se pode pedir mais. |