Não sou dos que acham que as pessoas que não concordam comigo, em termos pessoais-íntimos ou político-ideológicos (-ideológicos?), são infelizes, ressabiadas, imersas numa aversão corrosiva pelo muito que não compreendem, impelidas a autojustificar-se através da anulação da diferença, em negação de factos evidentes que colidem com medos cultivados no decurso de histórias pessoais traumatizantes, indignas do que a vida tem para lhes dar, que com alguma sorte talvez tenham a graça do arrependimento no último momento antes de partirem para a paz inútil da inexistência e/ou qualquer outro (outro?) delírio pseudpsicanalítico de café, ao fim da tarde, cervejinha à frente, no parque, brisa amena, patos a grasnar, as criancinhas lá longe para não importunarem com o barulho. Eu sou dos que acham que as pessoas que não concordam comigo, em termos pessoais-íntimos ou político-ideológicos (-ideológicos?), são simplesmente parvas.
__________ * (optimismo antropológico?) |