Há dois tipos de pessoas: as que dizem A Morte em Veneza, de Luchino Visconti, e as que dizem A Morte em Veneza do Visconti. Eu ponho-as a par para se ver melhor:
A Morte em Veneza, de Luchino Visconti A Morte em Veneza do Visconti
Já que aqui estamos, aproveito esta maravilha tuftiana para informar que A Morte em Veneza do Visconti é capaz de ser a minha memória cinematográfica mais marcante. Vi o filme pela primeira vez nos primeiros anos da adolescência, ou ainda na puberdade, sei lá. Há muito tempo, pronto. Fiquei tão espantado com o filme que ainda hoje consigo ressentir aquele meu espanto. Fecho os olhos, penso com muita força na ocasião e espanto-me outra vez. Também deve ter sido ali que nasceu a minha capacidade para amar ou odiar um filme apenas pela cor da sua luz.
Nunca fui a Veneza, nunca li o livro e já morri várias vezes, mas nunca na praia. Não me admirava que isto explicasse muita coisa.
Há tempos li algures que uns quaisquer serviços pidescos tinham incluído A Morte em Veneza, de Luchino Visconti, numa lista de filmes supostamente associados a uma cultura (ou assim) de pedofilia (que é aquilo que os jornalistas, por comodismo, nos desensinaram a chamar a tudo o que seja atracção sexual por pessoas sem idade para votar). Como quem inclui Fahrenheit 451 do Truffaut numa lista de filmes que estimulam a prática do fogo posto ou o Everything You Always Wanted To Know About Sex (But Were Afraid to Ask) do Allen (este já não resulta tão bem) numa lista de filmes que incitam ao sexo com ovelhas e que, portanto, deveriam ser proibidos em vários distritos do Interior Norte. |