Os rapazes do campo deslocam nos olhos o fascínio da descoberta em falta nos rapazes da cidade. Para os rapazes do campo tudo é sempre verde, não importa a sua idade: o conhecimento vai-se formando neles, não como uma estante que o tempo cumpre com livros ou vasilhame, mas como um órgão vital que amadurece no útero dos bosques. Os rapazes do campo crescem do sensível como animais fabulosos. Os da cidade apenas do dizível como profetas transpostos. Perante o mar desconhecido, os rapazes do campo desejam sem temor ser Odisseus porque crêem haver quem por eles se permita partir. Os rapazes da cidade, à vista do infinito, mais não pretendem que a segurança descritiva dos périplos. Ali, hóspede na noite dos eucaliptos, incapaz de concatenar educadamente a sua apologia com a minha certeza de que os seres belos aprendem mais cedo, fugi ao silêncio perguntando E as raparigas? As raparigas não sei, respondeu.
Elliott Erwitt, s.t. (Colorado, U.S.A.), 1955 |