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IC2
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Já eu, por exemplo, nunca achei o Calimero particularmente sexy, mas continuei a agir como se não fosse nada, à espera que passasse. |
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Preço fixo
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Obrigado a todos os que me exorbitaram a memória do telemóvel com registos de chamadas não atendidas. Obrigado pelos emails sem resposta à vista, mesmo os que vinham com troianos. Obrigado pela rede de preocupações montada ad hoc em cima deste e daquela. Suponho uns feixes de gerberas amarelas que ficam já agradecidos. E uns cartões. Não se passou nada, está tudo como antes. Foi apenas mais um episódio a caminho de um dos finais alternativos que o público, tarde ou cedo, terá a ilusão de poder escolher. Cada vez é mais cedo, como me fizeram notar enquanto prescreviam ajudas em dose superior à necessária, mas nisso nada há de anormal. Não fora esta espécie de antimatéria que nos compõe andar para trás e não teríamos ainda descoberto o favor da roda ou do mobiliário de polímeros. Não nos queixemos, portanto. Bem-hajam. |
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Um pequeno passo para um homem
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Há os acidentes que esperam por acontecer e os acidentes que procuram, activamente, a sua consumação. No nono tive um colega, a que preservarei a identidade chamando-lhe, aqui, Stjepan Polančec, que pertencia ao segundo grupo de forma convicta. O Stjepan Polančec, que ganhara a alcunha de «acidente nuclear» após um mal-afortunado acontecimento numa aula de Educação Física, atreveu-se a criticar-me por ser «um monstro de pontuosidade». Não encontrei outra saída que não fosse colocar um pionés na cadeira dele, no incío da aula de matemática. Foi nesse dia que o Stjepan Polančec perdeu a sua alcunha de «acidente nuclear» para abraçar outra, que manteve até ao seu desaparecimento para parte incerta, no dia seguinte. Segundo a teoria mais divulgada, terá ido para o Chile, onde tinha uns primos tresmalhados a trabalhar no mexilhão.
Este acontecimento perturbou-nos bastante, tal como ao decurso do ano lectivo. A turma foi dissolvida nas outras daquele ano (era uma escola grande de subúrbio), com excepção da delegada de turma, para a qual não irei inventar um nome, que foi dissolvida em ácido muriático e despejada no precário sistema de saneamento básico da zona. Por engano. Alguns de nós, que não eu, tivemos o assomo pueril de criar um grupo de trabalho destinado a encontrar o Stjepan Polančec e levá-lo de volta aos seus pais chorosos e indecentemente ricos. São estes os desígnios do destino. Mas a perspectiva de isso roubar tempo para cigarros & apalpões nos intervalos & furos retirou-nos alguma motivação e trouxe-nos de volta ao mundo dos adultos. Talvez não por acaso, foi nesse ano e nesse clima que aprendi que depois de dares onze vírgula quatro não podes passar a dar onze vírgula três. Grande ensinamento. Nunca o esqueço. Um pequeno passo para um homem, dois atrás para a humanidade. |
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Boneco
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Hoje, mais uma pessoa foi obrigada a concluir que é inútil tentar um projecto de diálogo comigo, por breve que seja, acerca de quaquer assunto, sob qualquer pretexto, em qualquer altura do dia, da semana, do mês ou do ano. Fiquemo-nos por aqui no que respeita à delimitação dos ciclos. A escala humana basta-me. Valeu que, na ocasião, me debatia com a mãe de todas as hamburguesas, e consegui disfarçar a minha falta de emoções.
Tentava apenas explicar que acrescentei aos meus objectivos de vida, não necessariamente o de adquirir, mas o de obter, de alguma forma a definir em bom tempo, um carro dotado de um motor com start-stop system. Não tenho decisões tomadas quanto a marcas ou modelos e isso não foi, seguramente, um ponto a meu favor. O último internamento já foi há muito tempo e os maus hábitos começaram a refazer-se às suas antigas posições. Como ainda tenho de tirar a carta, há tempo para pensar no assunto com outro cuidado. Mas isto não são coisas que se expliquem.
Ainda tentei meter que, com a queda da libra esterlina, as peregrinações a Londres esfolam menos os joelhos. Mas já fui tarde demais, como sempre. A grande vantagem das mentes cautelosas é que chegam sempre um bocadinho atrasadas a tudo; a grande desvantagem é que chegam sempre um bocadinho atrasadas a tudo. |
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Contributos para a refundação do capitalismo (figura 2)
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Fehlleistung com pernas
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A insensibilidade para com as pessoas de quem se discorda ideologicamente é uma das falhas morais que sempre me pareceram indesculpáveis. E não é por Manuela Ferreira Leite ser a mais recente vítima da matilha que vou passar a desculpar, mesmo que seja isso o que os meus linfócitos me dizem para fazer. Forçada pelo dever (e, admitamo-lo, por um amor proibido à pátria) a perseguir um objectivo que, na realidade, nunca quis atingir, o seu subconsciente vai-lhe tratando do problema à frente de toda a gente. E parte dessa gente, em vez de cumprir o dever cristão de se condoer publicamente com a tragédia pessoal que ali corre enquanto se deleita secretamente com o espectáculo freudiano, inteiramente gratuito, que lhe vai sendo proporcionado, perde-se em considerações acerca da natureza mais ou menos salazarenta (e também, hipoteticamente, freudiana) de cada um dos deslizes cometidos pela senhora. Aliás, nem sei o que será pior: se a insensibilidade, se a incapacidade para terem um visão de conjunto. Assim, meus amigos e minhas amigas, não vamos lá.
(Caso a propensão que o partido da senhora em causa tem para fazer chegar os seus líderes a Primeiro-ministro por acidente volte a fazer das suas, negarei alguma vez ter escrito isto). |
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Contributos para a refundação do capitalismo (figura 1)
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جبل موسى (coda)
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Antes que me esqueça ou que me exilem novamente no lado de lá, só mais uma coisa. Até ganhar as eleições, eram os mais fogosos opositores americanos de Obama que enfatizavam o facto de o homem também se chamar Hussein. Depois de as ter ganho, passaram a ser os seus menos complacentes apoiantes europeus a fazê-lo. Espero que todas as pessoas que, ao longo de anos, não tiveram coragem de me fazer as perguntas que eu não teria tido coragem para responder se dêem, finalmente, por satisfeitas. É isto e o meu profundo agradecimento tudo o que tenho para lhes dar. |
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Retrosaria (terra nullius mix)
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Soltaram-se dois botões do único casaco que me resta em condições. É o mal do vestuário dos franchisings populares da China. Os dois em sequência, um e, logo depois, o outro, ao serem inseridos nas casas insuficientes que lhes abriram. É sempre assim. No hotel, não foram capazes de me encontrar solução para o problema senão a de me indicarem a retrosaria do outro lado da rua. A pequena que atendia era limpa, alta, loura, fresca e sorridente. Quando sorria, que era sempre, fazia aquelas covinhas suavamente vincadas nas bochechas que só as meninas nascidas acima do paralelo cinquenta e dois conseguem fazer. Linha cinzenta e uma agulha, que se converteram em kit de inutilidades, e nem assim deixou de sorrir, tombando ligeiramente a cabeça, ora para um lado, ora para o outro. Os olhos azuis e brilhantes. Vi-me capaz de lhe ir com a cabeça ao septo nasal em nome de um dos meus desterros pré-Hajj, mas acabei por me ficar por um contrassorriso árabe. Apesar de tudo, amanhã, ao que tudo indica, será, infelizmente, um novo dia, lá fora. |
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Regresso ao n.º 49
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O meu regresso da Dinamarca estava marcado para hoje. Até já tinha escrito uma posta em que anunciava o advento e informava que, após um dia de merecido repouso, voltaria a receber os potenciais interessados a partir de quinta-feira, no horário habitual. Foi quando estava prestes a publicá-la, ontem à noite, que recebi o telefonema — terá de ficar até sexta, pelo menos. Uns imprevistos, umas reuniões, umas papeladas, umas apresentações. É muito difícil ser-se um engenheiro de sistemas em Portugal temporariamente transplantado para as bordas laboriosas do Lago Báltico.
Fiquei de rastos. Foi como se, à beira de nascer o Sol, outra noite completa se me apresentasse, já começada. Uma noite fria, de nuvens baixas que usam as suas próprias gotas para se propagarem às ruas da cidade. Fui tomado por uma tristeza ingente que me levou o apetite e o pequeno fragmento de vontade de viver. Já não me sentia tão triste desde que o meu dealer faleceu. Foi atropelado numa passadeira e passou os seus três últimos dias na orto-traumatologia, com a alma esvaindo-se aos bocadinhos. Até que se foi toda. A alma e os vinte gramas que eu tinha pago antecipadamente.
Não dormi e o desalento não me desocupou. Passei o dia a cumprir as minhas tarefas automaticamente, sem lugar a qualquer surgimento de gosto ou motivação. Apesar do meu aspecto, da barba por fazer, da óbvia falta de banho, das olheiras, da camisa amarrotada, ninguém me dirigiu uma palavra que não fosse técnica. Preferi assim, mas não consegui deixar de me sentir chocado com a indiferença destas pessoas com quem há vários anos lido, a contragosto mas delicadamente. Nem uma me ofereceu o seu ombro revestido a boas marcas para eu soluçar. Uma cáfila alcoólica, xenófoba e sem coração. Espero que fiquem todos sem as poupanças e os fundos de pensões, como as bestas dos islandeses. Que a eustasia lhes engula a terra tediosa que habitam, como aos desgraçados dos maldivianos, que quase nunca fizeram mal a ninguém. É assim que se escreve? Maldiviano? Bem, que se lixe. |
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Canja
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Não é fácil explicar aos fedelhos que as ruínas não são o que ainda resta do passado, mas sim o que já vamos tendo do futuro. Mesmo nada fácil. Comparado com isto, convencê-los a comer a sopa é canja. |
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Destruição
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Na segunda-feira, e já que tinha de ser apanhado pelo avião para Copenhaga (escreve-se com maiúscula?), resolvi ir mais cedinho para o Porto e aproveitar para dar um salto à Casa da Música, onde nessa noite actuavam os Ladytron. O que se segue, minhas caras e meus caros, é o relato de uma relativa desilusão. Não é que tenha sido mau, mas não custava muito ter sido bastante melhor.
Sala meio cheia com clientela boho chic (versão portuense requentada), média de idades pelos vinte e muitos/trinta e poucos. Não havia banda de apoio, apenas uma DJ sofrível. A banda dispôs-se no palco de forma previsível. À frente, Mira Aroyo (voz e teclas) e Helen Marnie (idem); atrás, Daniel Hunt (guitarra e teclas) e Reuben Wu (teclas e outras máquinas); ainda atrás, mais para os lados, dois elementos extras: um baterista e um baixista. Primeira nota: o baterista era louro. Um elemento louro no meio dos Ladytron é tão grotesco como um par de cornos de charolês montados em cima da grelha de um Rolls Royce. Segunda nota: o baixista tinha o cabelo comprido à metaleiro. Não vou dizer mais nada. Fundo constituído por longo reposteiro vermelho escuro, iluminação sóbria.
O concerto começou morno, com «Black Cat», e logo aí se percebeu que o problema principal iria ser o som. Os graves monstruosos, especialmente os saídos do bombo, submergiam a banda e, em particular, a guitarra-baixo, completamente indistinta ao longo de todo o concerto. Eu sou o mais possível a favor da integração de deficientes no mercado de trabalho, mas colocarem um surdo a fazer o som de um concerto na Casa da Música é capaz de ser exagero.
Mas um outro problema se tornou evidente pouco depois: Mira Aroyo. Se Helen Marnie demonstrou dotes vocais acima do que os discos fariam antever e uma presença em palco discreta mas cativante, Mira revelou-se como um dos maiores estafermos da história da música. Talvez por ter assumido excessivamente o papel de boneca de uma banda que, já de si, cultiva o cool perigosamente perto dos limites da decência, a senhora passou todo o espectáculo a forçar um olhar fixo para o público, um olhar profundo, misterioso, enjoado e perfeitamente imperturbável. Quando chegou a vez de se encarregar da vocalização de «Fighting in Built Up Places», desatou aos saltinhos pelo palco, embora do pesocoço para cima tenha permanecido esfíngica e, julgará ela, hipnótica. Foi um bocado ridículo.
Os outros dois estavam lá para trás, o mais imóveis que os instrumentos lhes permitiam, mas como ninguém quer saber deles para nada, não faz mal. Daniel Hunt abusou do tique um bocado estafado de tocar guitarra de costas para o público (demasiado Jesus & The Mary Chain na adolescência, talvez), mas como a função dele é ser o cérebro da banda e não andar para ali a pavonear-se, não me incomodou. Além do mais, se já era feio, agora também está gordo que nem um manati.
A prestação foi limpinha, sem erros, clínica, pouco emotiva, sem surpresas. Não esperava outra coisa, afinal eram os Ladytron, gélidos e chuvosos, e não um espectáculo de flamenco. As canções do último álbum, Velocifero, foram as que resultaram pior. Primeiro, porque, sendo em geral mais punchy (quando tiver esgotado a quota de palavras inglesas avisem) que as dos álbuns anteriores, aquele som de bombo monstruoso e distorcido fazia mais estragos. Segundo, porque este álbum sofre de um certo excesso de produção (demasiada mãozinha do Alessandro Cortini, provavelmente), que se faz sentir pela negativa (ou seja, pela falta) quando as músicas são transportadas para o registo live sem ter havido a preocupação de lhes dar uma roupagem mais adequada à ocasião. «Deep Blue» e «Predict the Day», as duas melhores faixas de Velocifero, e das mais poderosas de sempre da banda, transformaram-se, em concerto, numa espécie de pausas para chá de valeriana, ao passo que a simples e quase bucólica «Season of Illusions», que à partida parece simples filler, cresceu e acabou por se tornar num dos bons momentos da noite.
No entanto, quando entregues à electrónica pura, dura e mortalmente ferida pela voz ingénua de Marnie, os Ladytron brilharam. «International Dateline» (de Witching Hour) e «Seventeen» (de Light&Magic) valeram o tempo, o dinheiro e a sinalética ineficaz da Casa da Música. «Fighting in Built Up Areas» (malgré Mira), «High Rise» e uma que não consegui identificar (será nova? Será um lado B? Estarei a ficar senil?), também me passaram muito bem pela goela. E depois acabou. Ao fim de cerca de uma (sim, uma) hora, acabou. O pessoal lá pediu o encore da praxe e o pessoal lá teve direito ao encore da praxe. Que consistiu em, precisamente, uma (sim, uma) canção: «Destroy Everything You Touch», provavelmente dedicada ao engenheiro de som, que novamente a arruinou completamente com o som do bombo. À saída da banda, deixaram o PA a debitar a gravação de estúdio de «Versus», sempre com aqueles graves aberrantes. Não se faz. |
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Justiça
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Novamente Dinamarca. Não pode vir o frio e o escuro que não me mandem para a Dinamarca. Não que me interessasse vir à Dinamarca no Verão, mas mesmo assim. Sempre me escusavam ao suplício da minha imagem projectada contra a grande noite subárctica nos vidros de complexos hoteleiros e industriais assépticos. A multiplicação de superfícies espelhadas perturba-me quase tanto como o preço da Wyborowa. Já nem Fristaden Christiania, envolta num denso espírito negocial, vale a pena. Sempre passeias, dizem-me. É o mesmo que dizer a quem levou um tiro nos miolos que sempre areja as ideias. O outro, que passa os dias a ver TuTubos, foi mandado a Santiago do Cacém, ida e volta no mesmo dia. A maioria vê esta distribuição de deslocações como prova de que fui privilegiado por um recôndito e insondável sentido de justiça. A mim lixa-me, simplesmente, até porque não me posso queixar. Nunca ninguém compreenderia que eu, entre Santiago do Cacém e Copenhaga, escolhesse a primeira. Tal como ninguém compreenderia se eu tentasse explicar que desde há muito tenho a sensação de que algo se irá passar entre mim e Santiago do Cacém. É inevitável. É o destino. Está escrito nas tripas pestilentas do inferno ou nas estrelas que morreram no espavento da nossa soberba ignorância. Sempre tivemos uma relação difícil, eu e Santiago do Cacém. Mas é dos filmes que este tipo de relacionamento acidulado acaba, muitas vezes, na cama. Nunca fui para a cama com Santiago do Cacém. Principalmente por problemas logísticos. Mas já faltou mais. |
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